Tricô: uma releitura

31 out

A avó de cabelos brancos, sentada na cadeira de balanço, fazendo tricô representa o arquétipo do amor, carinho, acolhimento familiar.  Essa imagen clássica do tricô abriu espaço para mulheres mais jovens, com cabelos e roupas da moda e redatoras de blogs;  que marcam encontros em lugares charmosos na cidade para convivência e troca.

Tricotar aprimora a concentração aumentando a interação entre o lado direito e o esquerdo do cérebro, além de desenvolver a motricidade fina que mais tarde poderá ser muito solicitada.  Um exercício de resolução de problemas e lógica. 

Essa “nova” atividade tem atraído uma geração de mulheres que defendem o resgate de trabalhos manuais em geral, mantendo vivo esse conhecimento, outras encontram motivação na moda; e há as que encaram o tricotar como uma transgressão contra o consumismo exagerado, leia-se DIY (do it yourself)

A sensação de produzir algo é poderosa.  Uma das coisas que me move. 

A vida é feita de movimento criativo e construtivo.  Isso vale para tudo.  Das pequenas coisas do dia-a-dia às grandes decisões.  Porém, é preciso estar atenta aos “sinais da vida”.  Pois nem sempre receberemos em casa “uma caixinha de presente, com um laço de fita”   (a não ser a Glossy Box, mesmo assim, como “moeda de troca”)

Efetivamente, só caminhamos quando de fato estamos conscientes dos nossos passos.  Estar consciente é olhar o agora. 

O melhor indicador do nível de consciência é a maneira como lidamos com os desafios da vida.  Podemos nos valer de um desafio para nos acordar para a vida ou para permitir que ele nos empurre para um sono ainda mais profundo…às vezes, beirando o “pesadelo”.

Quantas pessoas ao nosso redor conduzem suas vidas inconscientemente?  Como poderão ser capazes de permanecer conscientes quando alguma coisa vai mal?  Portanto, é fundamental colocar mais consciência diante de situações comuns; quando tudo está bem.  É assim que se aumenta nossa percepção na vida.

Um novelo de lã e duas agulhas de tricô; esses foram os meus sinais… Em uma manhã ensolarada de um sábado tranqüilo, no litoral sul de São Paulo, sentada na varanda da casa da minha mãe, eu, como aprendiz…ela me ensinou os primeiros pontos.  Me permiti entender o que até então parecia um “emaranhado” de fios. 

Pontos, laçadas, carreiras e à espera demandam uma paciência que muitas vezes é preciso ter diante dos desafios que a vida nos apresenta, um excelente exercício mental.  Além de relaxar e estimular a criatividade. 

Num período em que estamos tão voltados para as solicitações externas. tricotar nos ajuda a nos conectar com nós mesmos.  Considero qualquer atividade que nos faça desacelerar e olhar para dentro como atos terapêuticos: tricotar, cozinhar, jardinar, meditar. 

No tricô, por exemplo, quando cometemos um erro em algum ponto podemos desmanchar e recomeçar de novo.  Mas, como tudo na vida, é preciso aceitar que alguns “pontos” não podem ser mudados. 

Aprender a lidar com as imperfeições também faz parte do nosso aprendizado de vida.   

Curiosidade:

Tricô-arte pelas ruas.  Esses grupos investem nas intervenções urbanas decorando as cidades e seus monumentos envolvendo árvores, postes, semáforos, carros…com peças feitas de lã.

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