O Caminho do Meio

10 jun

Eu devia ter uns quatro anos quando percebi que era capaz – com ajuda da minha mãe -, me equilibrar em cima de um murinho no clube, enquanto caminhavamos lado a lado.  Talvez eu fosse menor ainda, não tenho muita certeza.   Lembro da sensação que sentia ao soltar as mãos.  Por alguns segundos meu corpo balançava, meus pezinhos se revezavam num pedacinho de muro e com os braços abertos, eu reencontrava o equilíbrio.   Aquela brincaderia durou alguns anos.   Até que num determinado momento, adquiri consciência de como me equilibrar sozinha.

Muito tempo se passou.  Os desafios eram outros.   Eu era uma mulher adulta, formada, descasada, mãe de um casal de filhos pequenos.   O trabalho tomava grande parte do meu dia e do meu final de semana.  Dar conta dos múltiplos interesses, numa época em que a mulher contemporânea vive tantos papéis diferentes, não foi fácil.  Sem contar a dificuldade/habilidade  para lidar com os excessos de informações, escolhas “de mais” e novas maneiras de se relacionar no mundo com as novas mídias.

Uma lista enorme de “to do“:  “1001 Livros Para Ler; 1000 Lugares Para Conhecer; 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer”… É humanamente impossível fazer tudo numa única vida.  Portanto, escolher entre dez coisas e fazer bem feito, sem culpa, dando o melhor de si  já é um bom começo.

Para que isso acontecesse era preciso definitivamente encontrar meu próprio equilíbrio pessoal, familiar e profissional. Sem me sentir culpada por não atender a tudo e a todos, e a todo momento.  Afinal, todos temos nossos limites independente de gênero. É uma questão de responsabilidade, inteligência e sabedoria/intuição.

Aprender a delegar, faz parte desse aprendizado. A participação do homem dentro de casa, é tão importante quanto a entrada da mulher no mundo profissional.

Nesse período,  procurei exercitar diariamente minha busca pelo equilíbrio entre as múltiplas funções que eu desempenhava no cotidiano. Compreender que para conseguir uma vida equilibrada – no mínimo, um pouco mais do que a que eu vivia – era preciso primeiramente aceitar que aquele estilo de vida não estava me fazendo feliz.  E então, coragem para mudar.

Quando sentimos convicção da mudança que queremos promover em nossas vidas, “mãos” são estendidas em nossa direção. Pessoas que estão de fora, normalmente conseguem enxergar melhor o cenário.

Não foi fácil, porém necessário: fazer novas escolhas, abrir mão de outras, aceitar aquilo que – naquele momento – eu não poderia mudar fez parte desse processo.

Mais tarde, pude compreender melhor que esse movimento interno era fundamental para eu tivesse uma vida mais equilibrada, harmoniosa e feliz; mesmo em meio às adversidades da vida.

E você, concorda que somos o resultado de nossas próprias escolhas?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: